Eu cavalo em chamas
Sempre quis um aquário pra mergulhar
Orgulhar-me?
Desse nado desfez-se fado
Desse olhar mergulho
Alado?
Patenteado no andar
Deslizante à meia boca
Cavalga?
Deitado em estrela
Em mar em chamas
Circunvolui?
Um beijo!
Um queijo!
Carinhos que vão do culinário ao... sem fim!
(Poliana Cordeiro)
"Não lamente. As flores sempre são rancadas. Às vezes com rancor, às vezes, não"
Me diz por que você esconde a verd
ade assim tão longe?
rasga o verbo, num instante de
criação, para, logo em segu
ida escapar ao longe, a
o longe, ao longe.
Eu deito e acabo sonhando
Você regressa mais cedo
A embriaguez por perto agora é interrompida
Os objetos no mundo, os de ninguém
Nevasca aqui dentro
Me abandonar
Você só quer roubar meu sorriso como relíquia de família
Pequenas saudades fedorentas
Mas você se diverte. E eu me doloro.
Saíra pela porta da cozinha, nunca aberta
Era uma porta especial
Porta de sair mesmo
Um pedaço estava condenado
Nunca sairia, nunca
Ou melhor, daqueles cujas lágrimas serão sempre inventadas
Lixeira dos amores impossíveis
O que vê em mim, você vê pela luz que os seus olhos me alumiam
Uma pessoa disse para a outra:
– considere também como nós movimentamos nos relacionamos com crueldade. Não é apenas representação, é também a crueldade que nos aproxima – a digna crueldade que acompanha os limites – inclusive os limites da representação. Agora você entende o desapontamento que trancou a minha voz: eu vinha da expectativa do intenso calor das avenidas. Eu vinha de uma febre por um calor mais intenso. Desta vez não ousei me dizer nada, eu não podia me movimentar com a mesma crueldade, eu perdi as distâncias. Era o momento de pronunciar a crueldade: “o máximo que pode acontecer”. Mas tinha começado um outro tipo de fraqueza, uma febre pouco dirigível, entende? Eu tenho náusea porque a representação não me comove mais.
(Ana Cristina César.)
Eu me distraio, eu saio, eu caio.
A guarnição me espera lá fora,
e eu nem sei se é pra lutar em alguma guerra ou
conduzido à mira do pelotão de
fuzilamento
Eu escrevo às escuras,
"fascina; desistir no intervalo
a dura carpintaria e
abordar estreitamente a
fluidez de outro carlos; as mãos
indolentes já esquecem
marcas, calos, pequenas
alusões internas, agora riscos
que a cigana lê,
distraída, inseticida,
mística vagabunda, os cultos
todos da infância; sair
de trás das saias, dançar"
(Ana Cristina César, "Mandriagem")
E ainda tem voz tesuda
E aveludada
A minha é bloco de concreto
Perfurar concreto, eis minha sina
Desintegrar corações urbanos
E agora chegara o momento de decidir se continuaria ou não vendo Ulisses.
Odeio essa palavra: sincero
mais que tudo
ela é uma pura mentira, mais pura, podre.
, faz de conta que uma veia não se abrira e faz de conta que dela não estava em silêncio alvíssimo escorrendo sangue escarlate, e que ela não estivesse pálida de morte mas isso fazia de conta que estava mesmo de verdade, precisava no meio do faz de conta falar a verdade de pedra opaca para que contrastasse com o faz de conta verde-cintilante, faz de conta que amava e era amada, faz de conta que não precisava morrer de saudade
(Clarice Lispector - "Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres")
Desculpe ser tão demorado,
é que a noite me devora
insaciável.
1. A fofura em mim
2. A mudez em mim
3. A impulsividade em mim
4. A crueldade em mim
5. A histeria em mim
6. A frieza em mim
7. A ironia em mim
8. A velocidade em mim
9. O amor em mim
10. O olhar em mim
(Alanis Morissete / "That particular time")
Você sabia que necessitava de mais tempo... tempo perdido sozinho, sem distrações.
Você sentia a necessidade de voar sozinho pra definir o que você queria.
Naquele tempo particular, o amor me encorajou a deixá-lo
Naquele momento particular, eu sabia que, ficando com você, estaria me desertando.
Naquele mês particular, foi duro pra que você acreditasse que eu ainda sinto aquele momento particular.
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